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Comportamentos indesejáveis e trabalho de partes(José Figueira, Nov. 2007)Pode
dizer-se que toda a PNL tem como fim a aprendizagem sobre o funcionamento
da mente para, com esse conhecimento, podermos criar novos comportamentos
ou transformar comportamentos não funcionais. A esse processo de
descoberta chamamos “tornar conscientes os processos inconscientes que
se operam na mente”. São estes processos que são os responsáveis pela
nossa maneira de sentir e reagir. O conhecimento desses processos que
habitualmente têm lugar de forma inconsciente, estão na base das
intervenções em coach e terapia. Assim,
partimos do princípio que o comportamento é determinado directamente por
uma representação mental que interage com uma sensação. Partimos do
princípio que essa representação mental e essa sensação são o
produto duma história pessoal (acontecimentos e respectiva interpretação
pessoal, valores, convicções, uso da linguagem, decisões, etc.).
Partimos também do princípio que qualquer comportamento quer realizar
uma intenção e que essa intenção é sempre positiva, pelo menos para a
pessoa que age dessa forma. Assim,
há em PNL diversas formas que ajudam a transformação de comportamentos.
Podemos transformar directamente as representações mentais referentes ao
comportamento e substitui-las por outras representações sensoriais
(outras imagens, sons, sensações, palavras) que sejam mais funcionais.
Podemos indirectamente transformar as representações mentais e sensações
que estão na origem do comportamento utilizando técnicas que vão actuar
na nossa história pessoal, as chamadas terapias da linha do tempo. E há
outra técnica, de que vou falar aqui e que não tem necessidade de
recorrer à terapia da linha do tempo. Para resolver um problema, não é
necessário conhecer o eventual caso que possa estar na origem do
comportamento. A este processo chamamos o “trabalho de partes”. Quando
uma pessoa insiste num comportamento que não quer ter, então torna-se
altamente produtivo olhar para esse comportamento como sendo um
comportamento de uma “parte” dentro de nós, uma parte que não está
sob o nosso controlo. Se pudéssemos controlar essa parte, certamente que
transformaríamos o comportamento com facilidade. Ora
torna-se mais produtivo se olharmos para a parte com bons olhos - é que
na prática comprova-se a todo o momento que o comportamento, por mais
destrutivo que seja, tem por detrás determinada intenção positiva. Por
detrás da acção de fumar, pode estar um desejo de calma, reflexão,
companhia. Agressividade linguística pode corresponder à necessidade de
impor fronteiras. Desconcentração pode significar que uma pessoa quer
estar alerta para outras coisas mais interessantes. Extrema introversão
pode significar protecção. Perfeccionismo, necessidade de controlo e
segurança. E por aí fora. A
razão pela qual não conseguimos transformar o comportamento reside,
segundo a PNL, no facto de que a intenção positiva terá sempre que ser
realizada. Há na verdade uma incongruência entre a forma de
comportamento e a intenção; quer dizer, com a forma de comportamento que
a pessoa está tendo, acaba-se é muitas vezes por não se realizar a
intenção positiva inconsciente. A solução está em conseguir encontrar
formas alternativas de comportamento mais funcional que realizem com
indiscutível sucesso a intenção positiva do comportamento antigo. Então,
e só então, pode haver transformação. Há
que identificar em primeiro lugar o comportamento indesejável e especificá-lo
e para isso são empregues as perguntas do que é conhecido como o
“modelo meta” da linguagem, o primeiro modelo desenvolvido em PNL. Posto
isso, há que identificar, a parte responsável pelo comportamento. Quando
se fala em “parte” referimo-nos a algo como “um aspecto inconsciente
de mim”, “algo no meu inconsciente”, “um canto de mim”. Talvez,
empregando uma formulação um pouco forte, podemos falar de “uma
sub-personalidade de mim”. Depois
há que investigar de forma introspectiva a intenção positiva da
“parte”. Se não encontrarmos imediatamente a intenção positiva, há
que continuar a investigação até encontrar a intenção por detrás da
intenção que inevitavelmente levará a um objectivo positivo qualquer.
Ora este processo não é fácil feito individualmente pois a maioria das
pessoas não está habituada a olhar para si com estes olhos, a
escutarem-se desta maneira, nem a sentirem-se com maior compreensão e doçura.
As pessoas castigam-se, criticam-se, desrespeitam-se e tudo por
desconhecimento do processo inconsciente que leva ao comportamento. O
próximo passo é encontrar outro comportamento que satisfaça a intenção
positiva. Ora parece-me óbvio, que só um bom profissional pode aumentar
as possibilidades de sucesso na transformação. Há que não só
encontrar novas alternativas, e que só podem ser encontradas pela pessoa
em questão (e não por outros, nem que sejam os nossos melhores amigos,
esses em geral sabem sempre melhor do que nós o que devemos fazer), o que
significa levar a pessoa a um estado de transe criativo para encontrar
soluções inovadoras. Mas há também que estabelecer um diálogo interno
muito subtil ao nível do inconsciente para levar a parte a, ela mesma,
descobrir as vantagens da adopção de novas formas de comportamento. Ora
isto exige que a mente consciente não se intrometa, pois é o que tem
andado sempre a fazer e sem resultados. Este processo chama-se o
“Reenquadramento em 6 passos”, uma das técnicas, no meu entender, das
mais elegantes em PNL. Mas mesmo sem a ajuda dum profissional, já poderá chegar mais longe se se habituar a analisar-se com mais carinho, escutar a intenção positiva daquilo que até agora denominava até como a sua pior característica, olhar para si e para um comportamento indesejável com maior compreensão juntando ao diálogo interno uma maior dose de amor, aquele amor que às vezes damos aos outros ou queremos que os outros nos dêem e que tão poucas vezes damos a nós mesmos. Só fazemos as coisas duma determinada maneira, enquanto não sabemos a forma das fazermos melhor. E dentro de nós, se aprendermos melhor a escutar e a confiar no nosso inconsciente, revelar-se-á um número incalculável de respostas que só não ouvimos porque estamos demasiado ocupados a construir ruído, habituamo-nos a ele e acabámos por acreditar que o ruído é a vida, enquanto que muitas das coisas mais belas da vida muito possivelmente só se revelam no silêncio. |